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ESTRESSE NO TRABALHO - É POSSÍVEL PREVENIR?

Heloisa Xavier
Março, 2000

“Estou muito estressado, preciso de férias”.  “Esse trabalho é estressante demais”.  É assim que algumas pessoas se expressam diante de algo que já não estão mais suportando.  Elas se dão conta de que chegaram a um limite, o raciocínio já não é tão ágil, o cansaço, o desânimo e a indisposição são freqüentes.  Não raro a queixa inclui também sintomas físicos — dor de cabeça, pressão alta, taquicardia, dor de estômago ou algum outro.

 

Outras vezes a queixa sem nome vem revestida de um excesso de preocupação — “não vai dar tempo terminar o trabalho”, “não vou conseguir fazer”, “estou errando demais”, “quase não dormi pensando no trabalho”, “será que vou ser mandado embora?”   Até mesmo quem não é especialista faz o diagnóstico: trata-se de estresse.  E logo aparecem listas intermináveis de técnicas de relaxamento, dicas de como lidar com o estresse e de como tentar modificar as situações geradoras de estresse.

 

Frequentemente lemos artigos em jornais ou revistas, cresce a cada dia a oferta de cursos e programas anti-estresse, mas, embora já faça parte das conversas diárias, ainda há controvérsia sobre sua definição.  Por um lado, a palavra estresse muitas vezes se refere a uma condição nociva do ambiente que acarretaria algum tipo de dano à pessoa.  Por outro,  trata-se do conjunto de reações que um organismo desenvolve quando é submetido a uma situação que exige esforço para sua adaptação.

 

 

Por outro lado, quando há sobrecarga de trabalho, exigência e pressão excessivas, clima competitivo entre as pessoas e ausência de reconhecimento no desempenho, a pessoa sente-se exaurida e estressada, o que provavelmente acarretará um decréscimo na sua produtividade.

O termo não é unívoco e sua compreensão é mais derivada do senso comum do que de qualquer saber científico:  estresse diz respeito à relação do ser humano com seu ambiente, ou melhor, à forma com que o ser humano se relaciona com seu ambiente e administra seu cotidiano.

 

É trabalhando que o homem passa a maior parte do seu dia.  É no ambiente de trabalho que ele exerce seu papel produtivo, é exigido, recompensado, algumas vezes frustrado, assume responsabilidades, relaciona-se com diversas pessoas, enfim,  depara-se com situações que lhe despertam as mais variadas emoções.   E, quando as condições do trabalho não condizem ou não se harmonizam com as suas capacidades e necessidades, ele está sujeito ao estresse.

 

 

 

Muitas vezes confunde-se o estresse no trabalho com o desafio e alguns chegam até mesmo a afirmar que “uma certa dose de estresse faz bem”, mas a diferença entre ambos é significativa.  Enquanto o estresse pode enfraquecer a saúde e até mesmo levar ao adoecer, o desafio energiza tanto física como psiquicamente e motiva a pessoa a aprender, a desenvolver novas habilidades e a resolver as dificuldades.  Quando um desafio é vencido, gera um sentimento de satisfação e relaxamento.  Neste sentido, o desafio é um ingrediente importante ao trabalho saudável e produtivo. 

 

 

Embora já haja um acordo de que o estresse é resultante da interação das características pessoais do empregado com as condições de trabalho que lhe são oferecidas, um programa de prevenção de estresse vai sugerir diferentes estratégias caso o foco privilegiado seja o empregado ou o ambiente.

Em primeiro lugar, é importante levar em consideração que as pessoas são diferentes entre si e reagem às situações de acordo com sua história e suas características peculiares.  Assim, o que é estressante para uma, pode nem mesmo ser um problema para outra.  Dentro desta perspectiva, as estratégias de prevenção serão focadas nos empregados e em como ajudá-los a lidar não apenas com as demandas do trabalho, mas com as dificuldades de seu cotidiano, buscando uma melhor qualidade de vida.

 

 

Uma outra abordagem aponta para o fato de que, embora as diferenças individuais não sejam postas de lado, constatou-se que há certas condições de trabalho que são estressantes para a maioria das pessoas.  Assim, excesso de ruído e poluição, chefia autoritária, problemas na comunicação, pouca atenção aos aspectos sócio-afetivos dos empregados, falta de flexibilidade, insegurança quanto à possibilidade de promoção, papéis e funções pouco claros e indefinidos, pouca interação e ausência de colaboração, são alguns exemplos de condições de trabalho como fonte de estresse.  As estratégias de prevenção, nestes casos, cuidarão de redesenhar o trabalho, incluindo, entre outros, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e familiar, o desenvolvimento de equipes, o reconhecimento do desempenho profissional, a oportunidade de crescimento para os empregados, a valorização dos sentimentos do indivíduo e ações coerentes com os valores da organização.

 

Promover mudanças organizacionais através da melhoria das condições de trabalho e ajudar o empregado a compreender e administrar o estresse são formas de prevenir o estresse no trabalho.   Mas, o fundamental é que a prevenção seja um processo contínuo no qual, a cada momento, a avaliação feita permita redefinir ou redirecionar a estratégia a ser adotada para a obtenção da satisfação no trabalho.

 

 

Heloisa Xavier é psicóloga da CODEPSI

Março 2000

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