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ADOLESCÊNCIA COMO SINTOMA

Dalcy Ângelo Fontanive
Maio, 2001

É comum considerar-se o adolescente um sujeito especialmente problemático. A ele geralmente é atribuída a causa e a culpa dos problemas da família, da escola ou de outras situações sociais.  Como se o adolescente fosse um sujeito problemático por natureza. Na realidade, todas as idades têm seus problemas. A adolescência  tem os seus também.

 

Mais do que causadora ou geradora de problemas, a adolescência é uma idade reveladora de problemas. A conduta do adolescente é geralmente um sinal ou “toque” de que algo não está bem, alguma coisa está errada. Situações familiares, escolares ou outras mal resolvidas, incômodas, incoerentes, camufladas, são escancaradas pelo comportamento adolescente. Não necessariamente, essas situações são reveladas verbalmente. Mais comumente são denunciadas por condutas “problemáticas,” “desajustadas”, etc.. O adolescente não costuma varrer a sujeira da casa para debaixo do tapete. Joga logo no ventilador. Geralmente, uma situação desajustada do adolescente na família aponta para um desajuste da família. O adolescente funciona como luz vermelha que se acende quando lá, mais embaixo, existe um curto-circuito.

 

Admitindo este papel revelador ou sinalizador do adolescente, não é justo e nem faz sentido culpabilizá-lo do que não é responsável. Esta atitude só tende a aumentar o problema e dificultar uma saída. Sabemos que é muito cômodo “escolher” os outros como culpados de tudo e com isto não sentimos culpa de nada. Mas, este jogo de empurra (ou de bode expiatório) é insano e revela mais do que esconde uma problemática familiar. Sinceridade e diálogo funcionam muito mais eficazmente nestas situações.

 

Na prática clínica é comum se repetir a seguinte cena: um pai ou uma mãe (ou ambos juntos) levam o filho ao consultório e, antes de rapidamente se retirar, dizem: “Doutor, trate do meu filho”. Ah!  Quando virá o dia em que os pais, junto com o filho adolescente, entram no consultório, sentam, dizendo: “Doutor, queremos tratar de nossos problemas”. Esta última  atitude é verdadeira, eficaz e justa. A outra é tão inútil quanto enxugar gelo.

 

Dalcy Angelo Fontanive é professor titular de Psicologia da Adolescência da   UFF e psicólogo da CODEPSI.

Maio 2001

 


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