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A FAMÍLIA E O SOFRIMENTO MENTAL

Rosaura Maria Braz
Março, 2001

Quando eclode a primeira descompensação psíquica num membro de uma família,  seja ela de diferentes origens – econômica, racial, intelectual e cultural –  nota-se que essa família reage como se estivesse saindo de uma terra já conhecida para pisar em outra,  nova e desconhecida.  Mudança esta que costuma gerar uma série de conflitos e exige que ela,  assustada, descubra seus próprios recursos para resolver o problema. Como geralmente esses recursos são limitados, ela  sai em busca de ajuda terapêutica. 

Esse grupo esbarra em pelo menos quatro situações difíceis: o pânico de ter que conviver com a loucura (a terra nova); o sentimento de culpa; a  tentativa de dar uma explicação ao surgimento da doença; e ter que enfrentar os preconceitos sociais.

 

Neste cenário aparecem duas necessidades de ajuda: a da pessoa com o sofrimento mental e a de sua família. Entretanto, por maior que seja a dor, ela resiste em aceitar que quem está “doente”, não é só aquele que se desorganizou mentalmente, iludindo-se com a idéia de que todos os problemas serão resolvidos com a “cura” deste e negando-se a reconhecer outros sérios conflitos existentes dentro do grupo familiar.  No primeiro surto poucas são as famílias que têm a chance de receber ajuda afetiva e terapêutica que as permita elaborar satisfatoriamente tais conflitos.

 

O quadro se agrava com a repetição desse episódio, levando toda a família a um grau tamanho de cansaço e frustração que o único recurso encontrado é a reclusão e, consequentemente, o isolamento do “membro doente” e às vezes, também, o daquele que passa a ser o cuidador deste.

 

Apesar dos profissionais, cada vez mais, estarem promovendo  mudanças no que se refere a ações de saúde, a nossa realidade ainda é constituída, na maioria, de pacientes isolados-reclusos e familiares desassistidos, seja por resistência destes ou por falta de uma atuação terapêutica mais específica.

 

É sabido que a pessoa com sofrimento mental, quando recebe cuidado terapêutico adequado, apoio familiar e de amigos, tem seu prognóstico mais favorável. Entretanto, até quando o nosso Sistema de Saúde Mental continuará ignorando os pedidos específicos da família e as necessidades afetivas e sociais mais amplas das pessoas que sofrem desse mal?

 

Nestas situações, auxilia muito a aceitação do problema e a busca de ajuda !

 

Rosaura Maria Braz é psicóloga da CODEPSI.

Março 2001


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