CODEPSI

BUSCA AVANÇADA
< voltar

Ensaio

A dor como um possível recurso da existência *

Vera Maria da Costa Santos Tostes
5/2006

 

mas não pode “imaginar a extensão das partes das pulsões de morte que se recusam a serem amansadas assim, por estarem vinculadas a misturas de libido” (ibid., p. 205).

 

 

 

 Com vistas à preservação da vida as pulsões de vida e de morte encontram-se misturadas, de modo que jamais vamos encontrar estas pulsões em seu estado puro. Isso quer dizer que tanto as tendências libidinais sofrem influências das forças desagregadoras da pulsão de morte, quanto a destrutividade se encontra impregnada pelas forças libidinais de ligação características da pulsão de vida. Segundo Freud, o masoquismo erógeno primário, como investimento erógeno da experiência dolorosa, seria resultado dessa ligação entre Eros e Tânatos. Uma vez constituído pela parte da pulsão de morte investida pela pulsão sexual, o masoquismo promove uma verdadeira libidinização da vivência do desamparo, das experiências de desprazer e de sofrimento, condição essencial para a constituição da organização psíquica primitiva.

 

 

 

 Concluindo, a dor é um fenômeno que implica sempre o outro, despertando sofrimento naqueles que estão próximos ao sujeito que sofre. Mais do que um sintoma a ser eliminado, a dor é uma demanda que exige uma escuta do sinal de alerta da pulsão de vida sobre os riscos da ação destruidora da pulsão de morte.

 

 

 

 Enfim, a manifestação dolorosa mobiliza sensações que, muitas vezes, estão aquém do discurso e das possibilidades de representação. No trabalho analítico, isso requer uma atenção específica voltada para a dimensão da sensorialidade, que se faz presente a partir das vivências corporais do paciente, bem como das próprias experiências corporais do analista.

 

 

 O interesse pela influência dos fatores subjetivos nos processos de adoecimento do corpo sempre acompanhou Freud e seus contemporâneos, mas ainda permanece como uma questão atual, longe de ser esgotada. Afinal, a psicanálise se constitui como experiência capaz de escutar o sofrimento humano, naquilo que ele tem de mais singular e criativo, de modo a aceder ao desejo. Essa dimensão clínica, na qual o vivido do corpo se insere, será discutida a seguir.

 

Página          10  11  12  13  
Página          10  11  12  13  
< voltar
Os textos podem ser divulgados ou reproduzidos, integralmente, desde que mantenham as informações sobre o autor e sobre a CODEPSI.

Telefone: (21) 4141-9087
© 2018 CODEPSI. Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Créditos: D| Design Estratégico e Interage Solutions