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Ensaio

A Expressão da Sexualidade na Contemporaneidade *

Patrícia Palombini de Alencar
1/2005

 

“Um estudo completo das manifestações sexuais da infância provavelmente revelaria os caracteres essenciais do instinto sexual e nos mostraria o curso de seu desenvolvimento e a maneira pela qual ele se consolida a partir de várias fontes” (Freud, 1905: 177).

Já em 1915, expõe a influencia da experiência infantil nos atos psíquicos, dizendo que estes últimos só podem ser explicados por uma serie de outros atos e, não, pela consciência.

Desta forma, Freud expõe, ao longo de sua obra, uma sexualidade articulada “a uma necessidade de restaurar um estado anterior de coisas” (1920: 78), sendo os impulsos provenientes desta voltados para uma experiência anterior assim como o próprio ato sexual que poderíamos dizer ser o grande meio da sexualidade tentar atingir sua meta. Isso pondo que, a busca libidinal por um objeto sexual não é senão uma busca para reencontrar o primeiro objeto (mãe) já perdido: “O encontro de um objeto, é na realidade, um reencontro dele” (Freud, 1905: 229). Portanto, a pulsão reprimida, em sua busca permanente para alcançar a satisfação completa, busca também a repetição de uma experiência primária de satisfação, em um momento anterior em que não havia barreiras para que ela pudesse se expressar. Laplanche defende que a sexualidade é informada por fantasmas, como a castração, que existem em todos os indivíduos e, é a satisfação destas condições fantasmáticas que determinam a escolha de objetos e de atividades. Por conta de todos estes fatos, podemos concluir que para Freud, a sexualidade, assim como suas expressões, estariam indubitavelmente marcadas não só pelas experiências infantis como, principalmente, pela barreira da castração que as impossibilitam de se repetir.

A Sexualidade na contemporaneidade

A sociedade contemporânea é caracterizada por muitos teóricos como uma sociedade na qual o prazer é estimulado e na qual o sujeito se encontra descompromissado, rodeado de objetos a serem consumidos. Bauman (1995) propõe a figura do turista como um protótipo do sujeito contemporâneo, evidenciando-no as características expostas acima e a valorização, por parte dos turistas, do movimento e da liberdade de mudar de lugar quando lhes convir. O autor diz que é deles (turistas) a façanha de “ligar e desligar” (Bauman, 1995:115) durante seu percurso pelo mundo, mostrando o caráter descompromissado do turista para com este. É utilizada a

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