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Ensaio

O Amor - Um encontro com o objeto – A questão do amor transferencial

Maise Resnick
9/2001

 

 O amor que surge na transferência sinaliza a proximidade das angústias que ameaçam o indivíduo em seu interior. Portanto, este fenômeno deve não só nos apontar a resistência, como também dirigir nossa preocupação fundamental para o manejo da transferência. É com ela e através dela que serão abertas as vias de acessos às origens infantis do amor. 

Seja por que caminho for, pela transferência ou pela via da repetição, o que constatamos é que o analisante ao enamorar-se pelo analista mais do que resistir, procura preservar o eu de um aniquilamento frente às angústias que se erguem no processo analítico. Este movimento de preservação do eu, nos aponta para a presença da pulsão de vida.

Com isto, podemos pensar na questão da função do amor em sua manifestação no processo analítico. Pensamos que a função do amor transferencial pode ser vista a partir de duas vertentes. Uma delas atende o princípio da resistência, na medida em que, ao enamorar-se pelo analista, o analisante barra a emergência do desejo recalcado. Transfere, assim, para o analista sua demanda de amor, incluindo-o em sua cadeia de objetos de desejo. Desta forma, resguarda-se das angústias que emergem no processo analítico, protege-se das mesmas, ao tentar uma unificação com o analista. Movimenta-se, pois em direção à síntese do amor. Entretanto, não é a partir da síntese que o analista deslindará seus conflitos. É preciso instalar a análise do amor, que irá expor os contrários: amor e morte. Por fim, podemos pensar que a pulsão de vida se expressa no amor transferencial, com o objetivo de preservar o eu. Teríamos, aqui, a outra vertente da função do amor na transferência. Paralelamente a isto, a pulsão de morte, se expressa a partir da tentativa de manter o mesmo que, através da repetição, busca a volta a um estado anterior. Assim sendo, o amor transferencial tem sua função determinada pelas duas vertentes, amor – tentativa de preservação do eu – e morte-compulsão à repetição.

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