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Ensaio

Freud e a Sexualidade *

Andréa Abreu
11/2005

 

 

estados afetivos, que denotavam uma insatisfação no campo sexual. Esses fundamentos teóricos possibilitaram Freud a se lançar aos Ensaios, tomando por base dados já bem estruturados, sobre os caminhos percorridos pela sexualidade. Ao salientar que o homem tem como alvo a satisfação que possa vir a obter, independentemente do objeto em questão, Freud sinalizava o que iria constituir o núcleo da teorização sobre as pulsões: o dualismo pulsões sexuais / pulsões do eu [1].               

Através dessas formulações, Freud chegou às questões que o levaram ao texto Sobre o Narcisismo[2], que foi decisivo na abordagem da sexualidade, pois considerou que o eu se comporta como objeto sexual em relação a si próprio. Essa afirmação promoveu significativa reformulação na primeira teoria sobre as pulsões. As pulsões do eu passaram a ser incorporadas a uma nova classe de pulsões, que Freud contabilizou em seu conjunto como pulsão de vida, salientando que esta se movimenta sob o domínio de Eros. Porém, reafirmando que a sexualidade está calcada num eterno combate entre forças pulsionais, somou à força ruidosa de Eros os esforços silenciosos de Thanatos:

                                “...O máximo que se pode dizer, portanto, é que existe na mente uma forte tendência                                   no sentido do princípio de prazer, embora essa tendência seja contrariada por certas                                  outras forças ou circunstâncias, de maneira que o resultado final talvez nem sempre                                               se mostre em harmonia com a tendência no sentido do prazer” [3].           

Essa linha de progresso na Obra Freudiana, de certo modo nos autoriza a dizer que a psicanálise considera que o homem estabelece com o mundo o modelo de uma relação sexual. Esta, contendo inúmeras variações e diferenças particulares quanto aos níveis do que provoca aproximação e retração, satisfação e insatisfação, conduzindo a resultados os mais diversificados.              


[1] FREUD, Sigmund. Sobre A Concepção Psicanalítica Da Perturbação Psicogênica Da Visão (1910). Em: Obras Psicológicas Completas, vol. XI. Op. Cit.

[2] FREUD, Sigmund. Sobre O Narcisismo: Uma Introdução (1914). Em: Obras Psicológicas Completas, vol. VIV. Op. Cit.

[3] FREUD, Sigmund. Além do Princípio de Prazer (1920). Em: Obras Psicológicas Completas, vol. XVIII. Op. Cit, pg. 20.

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