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Ensaio

Para não dizer que não falei de flores: Considerações acerca da AIDS e do universo religioso

José Henrique Lobato Viana
6/2001

Tais discursos são marcas que orientam um determinado setor,não querendo com isto dizer que todos que tenham proximidade com o espaço religioso, expressem da mesma forma considerações a respeito da aids. Pelo contrário, outras produções discursivas criam trilhas a serem percorridas.

 

Nem sempre os discursos religiosos são marcados pelo parecer atemorizador, apocalíptico. Existem outras concepções no tratar desse tema. Alguns têm posicionamentos que demarcam a necessidade de se firmar e afirmar a dignidade do soroconvertido, bem diferente daqueles outros já mencionados.

 

Luiz Mott, antropólogo e membro fundador do grupo gay da Bahia, tece comentários acerca das impressões de Dom Paulo Evaristo Arns, à época cardeal-arcebispo de São Paulo e Dom Ângelo Salvador, bispo auxiliar de Salvador. Do primeiro extrai o comentário de que a missão da igreja é confortar os doentes de aids, como a todos os outros que padecem de doenças graves, apelando para que se mantenham fiéis às suas convicções religiosas. Dom Paulo diz que “não cabe a igreja opinar sobre a própria doença, sua  natureza e origem, e seria imprudente declarar seu sentido providencial.”(1985:38).Já o segundo afirma que não há fundamentação teológica para a idéia da aids ser algo oriundo da ira divina. Para Dom Ângelo, a aids é um problema científico, acreditando que os cientistas encontrarão respostas adequadas para inibir o crescimento da mesma e que também descubram a cura. Ele crê que “o vírus da aids pode até provocar uma reação positiva com relação ao comportamento sexual das comunidades :obrigar as pessoas a revisar a sua própria sexualidade e seu modus vivendi!(ibidem)

 

Nem todos se valem de metáforas onde a punição é a espinha dorsal do discurso. As diferenças, também, têm que ser vistas e analisadas, no campo de forças que constroem o discurso religioso. Outras faces, outras possibilidades de compreensão, e porque não dizer de afetos, são vislumbradas. Por meio de suas falas, esses “pastores” dão outros significados acerca da aids ao seu “rebanho”.

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