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Ensaio

O Amor - Um encontro com o objeto – A questão do amor transferencial

Maise Resnick
9/2001

 

 Nesta conciliação, não se trata de excluir um em favor do outro. Não se trata de dizer que no amor não há morte ou o contrário. Trata-se, portanto, de reunir, no amor, o amor mais a morte. Nesta adição de contrários, temos a fusão das pulsões, já que ambas se fazem presentes em todos os fenômenos da vida. 

É de se esperar, portanto, que o fenômeno de amor-transferencial, tenha em si esta conciliação das pulsões de vida e de morte. Daí, o amor na transferência é amor genuíno, indiscutivelmente, amor semelhante ao da vida comum. Representante de Eros é também repetição e como repetição, representante de Thanatos. 

A Psicanálise, ao inserir esta caracterização do amor, fez surgir repúdios e contestações, ante esta nova concepção. Entretanto, isto nos aponta para a grande antítese existente entre os propósitos psicanalíticos e os filosóficos. Enquanto que estes últimos têm por objetivo eliminar contrários, fazer síntese, os primeiros objetivam a reunião destes: “Na posição analítica a síntese não é possível. Na verdade não há dialética. Há amor”. (Fédida, 1988,P.47). 

O que quer, então, o analisante ao enamorar-se pelo analista? Ele deseja a síntese, deseja  manter a doença, perpetuar o sintoma. O sintoma é a síntese. É a mais completa impossibilidade de convívio com os contrários. 

A construção que o paciente faz, no decurso do tratamento analítico, da existência de contrários, da dificuldade imposta pela ambivalência destes contrários no interior de si, o leva necessariamente à sintetização e à totalização do amor no sentido de conservação do eu. Ante este sentimento de ameaça de esfacelamento do eu, o analisante busca através do amor transferencial, realizar uma unidade com o analista (Fédida, 1988). A tarefa psicanalítica é fazer o analisante admitir contrários, fazer com que estes contrários possam coabitar o sujeito, “rompendo a clivagem, e assim poder estar do lado da análise do amor e não de sua síntese” (Fédida, 1988,p.45).

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