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Ensaio

Para não dizer que não falei de flores: Considerações acerca da AIDS e do universo religioso

José Henrique Lobato Viana
6/2001

John Bowker, estudioso das religiões, diz que as mesmas se firmam por meio das narrativas, onde a informação é colocada em palavras, liturgias, festivais e peregrinações. Para o autor, “as religiões têm sido vistas como grandes contos que as pessoas aprendem e traduzem, segundo a biografia de suas próprias vidas.”(2000:8), produzindo textos, recriando histórias, afirmando a existência do homem. Como outras histórias que se firmaram por meio da tradição oral e escrita, a religião traz, em si mesma, representações que traduzem a idéia de um grupo, a construção de uma história, a memória de uma sociedade.

 

Como um dos primitivos sistemas culturais, as religiões construíram memórias repletas de significados que marcaram a evolução humana, passando de geração a geração crenças, temores, rituais. Toda uma carga histórica se estabelece, devido aos cultos às divindades, exercidas pelos povos desde as mais remotas épocas até os dias atuais.

 

Bowker aponta para o fato de que as religiões unem as pessoas em práticas e crenças comuns, aproximando-as por meio de um mesmo objetivo de vida. Podendo ser a vida entendida de forma literal, a partir do pressuposto de que são as religiões que trazem o mais antigo entendimento acerca da proteção, habilitando as pessoas, desde então, a terem filhos e a criá-los até a idade adulta. A seleção natural e a evolução, segundo ele, estão presentes nesses mecanismos. As comunidades ao se estruturarem de forma a cuidar das crianças e a transmitir os genes possibilitam a sua sobrevivência e o seu crescimento.

 

Uma das reflexões oriundas desse grupo específico, ou seja, do campo religioso, apresentava a aids como uma fúria divina. Tal exposição bíblico-exegética expunha a ira divina, pois o ser supremo cansado das infrações humanas determinava o flagelo como forma de se fazer valer de sua autoridade. Sendo assim, Deus imputava à  matéria, ao corpo do homem essa doença, a aids. Galvão ao comentar acerca do texto produzido no ano de 1985, por um dos expoentes mais influentes da ordem religiosa, de vertente católica, no Brasil, a do então cardeal-arcebispo Dom Eugênio de Araújo Salles, diz que “no artigo denominado ‘O mal e a covardia dos bons’, o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro aborda a aids como um castigo

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