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Ensaio

A Expressão da Sexualidade na Contemporaneidade *

Patrícia Palombini de Alencar
1/2005

 

do genital, mas, sim, a atividades vividas desde a infância que Freud postula como sendo sexuais, visto que, as crianças buscam prazer, como o sugar o dedo, que não se incluem em funções biológicas. Laplanche nos esclarece dizendo que a pulsão sexual surge como uma “perversão do instinto, em que se perdem o objeto específico e a finalidade orgânica” (Laplanche, 1967: 622). Esta se dá no momento em que a criança se situa no universo fantasmático dos pais e recebe por parte destes incitamentos sexuais.

De acordo com Freud, o primeiro objeto sexual da infância é a mãe, junto ao seio que a alimenta. O seio, para Freud, desde Os Três Ensaios Sobre a Sexualidade (1905), já é visto como a primeira fonte de prazer para a criança. Nesta obra, o autor sugere que ao cuidar do filho, beijando, limpando, etc, a mãe estaria despertando a pulsão sexual deste. E, é a partir dessa relação primeira que podemos dizer se originar a pulsão auto-erótica, que vem a se tornar o protótipo de toda a pulsão amorosa:

“Numa época em que os inícios da satisfação sexual ainda estão vinculados à ingestão de alimentos, o instinto sexual tem um objeto sexual fora do corpo do próprio infante, sob a forma de seio da mãe. Somente mais tarde é que o instinto perde esse objeto, bem na época, talvez, em que a criança pode formar uma idéia total da pessoa a quem pertence o órgão que lhe está dando satisfação total. Via de regra, o instinto sexual torna-se então auto-erótico...” (Freud, 1905: 228/229).

Diz Freud que a pulsão sexual infantil auto-erótica provém de pulsões parciais que visam o prazer em zonas erógenas, as quais funcionam independentemente umas das outras. Sobre a posição auto-erótica, o autor exalta que: “deve-se insistir que a característica mais nítida desta atividade sexual é que o instinto não é dirigido para outras pessoas, mas obtém satisfação no corpo do próprio individuo” (Freud, 1905: 186). Isso porque, nas fases pré-genitais, a sexualidade ainda não está referida a função reprodutora e, para o autor, a subordinação a esta função só se estabelece na ultima fase em que atravessa a organização da sexualidade. Freud, ao longo de sua obra, desenvolve sua teoria afirmando que algo que envolve a pulsão sexual não favorece a satisfação plena e é a partir desta inferência, que o autor chega ao impedimento causado pela proibição do incesto e as exigências da civilização. Nestas circunstancias, teoriza sobre o mecanismo de recalque como uma modalidade de defesa

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