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Ensaio

A dor como um possível recurso da existência *

Vera Maria da Costa Santos Tostes
5/2006

encontros com os seus pacientes, onde a dimensão do sofrimento se acha envolvida. O conhecimento em psicanálise não se forma na simples observação dos fenômenos, mas no acolhimento, escuta e resposta ao sofrimento, e nos tratamentos daí decorrentes. É pela via dos afetos, daqueles evocados na transferência, que se lançam as bases das elaborações metapsicológicas.  

É com este pano de fundo que faremos um percurso da construção da noção de dor na psicanálise. Ao tentar demonstrar a conexão existente entre corpo e psiquismo, Freud traz à baila a dor como um possível recurso da existência, e que se faz sempre presente na constituição da subjetividade. Portanto, dor e angústia funcionariam como sinal de alerta para o ego não sucumbir à avalanche de excitações advindas das pulsões, o que leva o sujeito a ter que se confrontar com algum tipo de sofrimento.  

De uma dor que não se cala 

A compreensão metapsicológica do corpo implica ressaltar a dimensão psíquica da dor que habita o ser humano, sensação que prova que o nosso corpo é psíquico também. Ou seja, o ego exerce a sua corporalidade através das diferentes sensações inscritas na pele, cuja dor teria a função de transmitir o que se passa no interior do organismo. “Sentir dor informaria ao ego sobre a existência de um corpo constituído de orgãos, tornando-lhe possível a representação interna do próprio corpo” (FERNANDES, 2002, p. 56).   

Ao propor algumas reflexões para a clínica psicopatológica da dor, Berlinck (1999) salienta que o ser humano necessita da dor, assim como não pode dispensar a angústia e a depressão, uma vez que estes estados sinalizam perigos e ameaças que ocorreram no tempo e no espaço. Portanto, “a dor, provocada pela catástrofe e pela perda do objeto primitivo, não só inaugura o humano, mas o lança no sexual” (p. 19). Segundo este autor, depressão, dor e angústia se fazem acompanhar por “sensações que incidem espetacularmente no corpo, mas que são sempre psíquicas (ibid, p. 10), colocando em evidência a fragilidade da existência humana que se encontra em permanente perigo.

 

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