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Ensaio

Para não dizer que não falei de flores: Considerações acerca da AIDS e do universo religioso

José Henrique Lobato Viana
6/2001

 

 

No caso do Brasil, no ano de 1999, 128.761 casos de aids foram notificados, dos quais, quase 28.000 dos infectados eram mulheres. No tocante a prevenção e assistência, o país é o único no mundo que fornece gratuitamente as novas terapias de tratamento.

 

Se acreditou, durante um período, que a aids não chegaria a contaminar o público feminino. Somente a partir de 1990 é que as campanhas públicas, no Brasil, começam a rever o perfil da epidemia e passam a expandir para os outros grupos sociais a necessidade de  prevenção contínua.

 

A noção de que a aids se restringia aos homossexuais masculinos ou aos usuários de drogas injetáveis, vai diminuindo o seu campo de força no que compete ao imaginário social. Os transfundidos, as mulheres, os bebês filhos de pessoas soropositivas são outros personagens dessa história mundial, que apontam para os novos rostos dessa amarga apropriação de territórios. Novos discursos são construídos e a aids vai deixando de ser tema privativo de grupos específicos, passando a surgir mais amplamente trazendo suas questões a todos os segmentos sociais.

 

Variações discursivas orientam ações e alicerçam comportamentos. Uma delas é a de cunho religioso. A construção do discurso de ordem religiosa, também participa da modelagem e fabricação de subjetivação. Entendemos, como apregoa Feliz Guattari, que a subjetividade é essencialmente fabricada e modelada no registro social”(1986:31),portanto, ela é forjada num contexto social que modela, fabrica e constrói imagens, mitos,crenças.

 

Na construção discursiva acerca da aids e suas implicações com a saúde física e mental, pensamos o quanto a esfera do sagrado e do profano intervém nas ações que direcionam as vidas das pessoas  acometidas pelo vírus do hiv(vírus da imuno-deficiência humana). Essas pessoas por também serem atores e viverem nessa teia relacional que se chama sociedade, não passam incólumes a tais expressões que atravessam e estruturam subjetividades.

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