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Ensaio

A Expressão da Sexualidade na Contemporaneidade *

Patrícia Palombini de Alencar
1/2005

 

Freud vivia em um período em que a noção de normalidade sexual partia do paradigma de que os atos sexuais visavam unicamente a reprodução. 

As necessidades sexuais, para a biologia, eram explicadas pela presença de um instinto sexual equivalente a um instinto de nutrição. A palavra libido era utilizada por esta ciência para nomear a necessidade sexual natural (Freud, 1905). Tudo que fugisse a essa estrutura era visto como desvio ou perversão sexual.

Freud revoluciona a visão vigente, na medida em que estende o conceito de sexual até onde ele, então, não existia, a saber, na infância e no inconsciente. O autor fala de uma ordem libidinal inconsciente que influencia diretamente o ser humano e, colocando-se desta maneira, ele propõe uma ampliação do exercício da sexualidade para além do ato sexual, como para um conjunto de atividades, de representações, de sintomas, etc.

Esta revolução tem sua origem nos Três Ensaios sobre a Sexualidade (1905), onde Freud coloca que o desenvolvimento da sexualidade não se inicia na puberdade, estando presente deste os primórdios da infância. É neste texto que o autor introduz que o sexual não se reduz ao genital e que não tem como objetivo a reprodução, mas sim, a satisfação. O campo do sexual, para ele, se distancia da idéia de um instinto sexual, ligado a dados biológicos e entendido como função vital. O autor defende que:

“a concepção geral é de que ele[o instinto] está ausente na infância, que se manifesta na puberdade em relação com o processo de chegada da maturidade e se revela nas manifestações de uma atração irreversível exercida por um sexo sobre o outro; quanto a seu objetivo, presume-se que seja a união sexual, ou, pelo menos, atos que conduzam nessa direção” (Freud,1905:135).

Segundo Laplanche (1967), é justamente a presença da sexualidade infantil desde os primórdios da vida que alargam a concepção do que é do âmbito do sexual. A partir deste alargamento, para o autor, se fez possível, para Freud, procurar o que seria especificamente sexual nas atividades, já que se fez entendido que o sexual não se reduz ao genital. Para Laplanche, a sexualidade não se referenciaria apenas as atividades e ao prazer oriundos

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