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Resenha

A Arte de Contar Histórias.

Vera Lucia do E.S.Araujo.
8/2010




É muito comum nos vermos tendo que repetir, e repetir, a mesma história atendendo ao pedido insistente de uma criança. Todos nós temos uma experiência dessas para lembrar. Quem conta um conto, uma história a uma criança tem sempre, no mínimo, uma experiência interessante. Não importa a teoria, a técnica, os recursos que possam envolver esta tarefa, o que importa mesmo é contar!
 
O psiquiatra Celso Gutfreind em seu livro “O Terapeuta e o Lobo, a utilização do conto na psicoterapia da criança”, relata sua experiência fascinante com um “Ateliê Terapêutico de Contos”. Em sua compreensão, da qual sou totalmente partidária, “oferecer histórias a uma criança é promover um programa eficiente de saúde mental.” Não há o que discordar. Só nos resta pensar sobre a importância de abrir espaço para essa prática no dia a dia, resgatando o prazeroso momento no qual a criança ouve da mãe, do pai, ou de qualquer pessoa que ocupe este lugar o relato de uma história. Já nos ensinou Monteiro Lobato pela voz de Dona Benta que esse momento de ouvir histórias é mágico e encanta os pequenos.
Será que quando saímos do cinema, de uma peça infantil ou até mesmo após assistirmos um desenho na TV com uma criança (torço para que os pais tenham esses momentos com seus filhos!!) conversamos sobre a história que acabamos de assistir?
Incentivamos nossos filhos a fazerem um desenho sobre o que acabaram de assistir ou experimentar uma brincadeira colocando-se na pele dos personagens? Ou quem sabe ajudá-los a criar uma nova historinha?
Espero não estar querendo demais. Afinal conheço pais assim. Admito que são poucos, mas, são especiais.
Todos queremos ser especiais. Mas é preciso por “as mãos a obra”, ou “na obra”. Há sempre uma boa história esperando para ser contada, encontre o seu jeito.
 
Seguindo esta trilha na Arte de Contar Histórias, o maravilhoso musical infantil ”A menina que mofou nas férias” aborda, entre várias questões, a falta de disponibilidade na relação mãe-filha. A menina Terezinha encontra ajuda para seu drama na boneca e em seus livros, que na peça ganham vida. Sem poder brincar, fechada dentro de casa, super atarefada, mini executiva ao exemplo da mãe, a menina mofa!!! Psicossomatização? Sintoma? De forma leve e divertida a peça expõe muito bem alguns dos “dramas” bastante significativos, os quais nós psicanalistas recebemos diariamente em nossos consultórios e que a experiência terapêutica ajuda a transformar.
A arte de contar histórias é abrir um campo narrativo em torno dos relatos que as crianças farão depois de ouvir uma historias. Afinal todos temos fadas, bruxas, piratas, príncipes e princesas dentro de nós.
 
“Para entrar no tempo das fábulas, é preciso ser sério como uma criança sonhadora”
                                                                                                                                                    Bachelard

Vera Lucia do Espirito Santo Araujo é psicóloga da Codepsi.
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