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Ensaio

Freud e a Sexualidade *

Andréa Abreu
11/2005

 

desenvolvimentos estanques, ou mesmo por questões morais. As aberrações sexuais, a sexualidade infantil e as transformações da puberdade funcionam como índices, que interligados, refletem o modo como a libido serve de norteador nos diversos modos de ligação entre o eu e o objeto.                 

A ampla consideração concedida ao tema da sexualidade continua viva na experiência da práxis psicanalítica, na medida em que passados cem anos da publicação dos Três Ensaios tal abordagem permanece como fonte inesgotável de re-atualizações. Isso faz com que nossa sociedade contemporânea, conte com uma popularização cada vez maior da psicanálise, a qual surge por vezes povoada de equívocos; mas fornece também o testemunho de novas formas de organizações tipicamente atuais, que remetem indubitavelmente à idéia de que há um reconhecimento de que o sexual – tal qual como descrito por Freud – não visa apenas a procriação da espécie e que seus múltiplos destinos não se enquadram apenas às leis externas, exigindo constantemente situações que provoquem mudanças.             

Deve ser levado em consideração, o fato de que tais mudanças – além de demonstrarem um modo de evolução – coadunam também com a idéia freudiana contida em O Mal Estar Na Civilização[1], onde enfatiza que o homem não se sente facilmente adequado às exigências impostas pela civilização. A partir dessa linha de aprofundamento surgem as questões: o que podemos extrair das teorias sexuais freudianas, enquanto uma ética no campo da sexualidade? As teorias freudianas da sexualidade seriam um índice de transformação na sociedade atual em que vivemos?  Assim, este trabalho tem como meta investigar o lugar do efeito freudiano nos novos caminhos traçados pela organização sexual contemporânea.

Caminhos Tortuosos: Diferença e Repetição                        

Em sua época, Freud atribuiu que ao adoecimento estava inerente um forte fator repressivo. A civilização para se manter, exigia do homem renúncias que este, não estava naturalmente apto a realizar. Tal dicotomia provocava por um lado, o crescimento de formas criativas como efeitos de sublimação; mas também por outro, evidenciava um alto índice de sintomas que constituíam o que nomeou de doença nervosa [2]. 


[1] FREUD, Sigmund. O Mal Estar Na Civilização (1929). Em: Obras Psicológicas Completas, vol.XXI. Op. Cit.

[2] FREUD, Sigmund. Moral Sexual “Civilizada” E Doença Nervosa Moderna (1908). Em: Obras Psicológicas Completas, vol. IX. Op. Cit. Freud retoma esse ponto de vista também no texto sobre O Mal Estar Na Civilização.

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