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Ensaio

Para não dizer que não falei de flores: Considerações acerca da AIDS e do universo religioso

José Henrique Lobato Viana
6/2001

 

 

Para Sontag há uma ligação entre o imaginário da doença e o imaginário do estrangeiro. Sendo que, a origem disso se encontra, para ela, no próprio conceito de errado, sempre identificado com o não-nós, aquele que difere, que é o estranho. O que é ruim, está sempre fora, no estrangeiro, no outro. No Brasil isso também se valida, a idéia primeira é de que a aids veio de fora, dos EUA, da África  ou de qualquer outro rincão do planeta. Invadindo o “território nacional”, dominando-o. A partir desse acontecimento, seria como direcionasse, ao seu bel-prazer, o território dos afetos, das crenças, dos desejos.

 

Idéias metafóricas, relativas a comando e controle, que são próprias da linguagem militar, se estruturam. Assim, o vírus não se multiplica  na célula, simplesmente a invade. Essa forma de expressão metafórica toma corpo, segundo Sontag, pela primeira vez na nona década do século passado,onde a medicina se apropria de tal discurso para identificar as bactérias como agentes patológicos:”das bactérias se dizia que ‘invadem ‘ ou se ‘infiltram’.”(1984:84).Tal construção verbal também tem a sua relevância nos termos construídos para se falar da aids. O vírus é um invasor de territórios. Ao adentrar na corrente sanguínea, passa a dominar e controlar os corpos.

 

As estimativas mais conservadoras em 1993 para o nível de contágio da aids no mundo, para o ano de 2000 eram de 38 milhões de adultos infectados. Mas outras fontes tinham como o número de infectados a expressiva ordem de 110 milhões de pessoas. De fato, o que ocorreu foi um número bem expressivo de infectados.

Segundo dados de 2001, do Programa Conjunto das Nações Unidas para hiv/aids, o número de pessoas soropositivas chegou a ordem de 40 milhões de pessoas. Vários casos, como os dos países africanos, vêm modificando o perfil da epidemia. Nesse continente, a aids vem dizimando parte considerável da população economicamente ativa, isso faz com que as políticas de assistência sejam revistas,visto que o “solo” da aids é fértil e cada vez mais amplia seus territórios.

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