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Ensaio

A dor como um possível recurso da existência *

Vera Maria da Costa Santos Tostes
5/2006

 

capaz de desenvolver o poder imaginativo do paciente, fazendo com que a doença não fique privada da função metafórica transferencial da palavra, pois “dela depende que o paciente receba reconhecimento e reencontre enfim seu lugar no interior de uma palavra efetiva, de uma palavra singular na qual possa reconhecer sua identidade” (FÉDIDA, 1988, p. 53).

 

 A análise busca favorecer a representação das impressões sensíveis traumáticas nunca antes nomeadas, porém sentidas, constitutivas de uma “memória corporal” (3) a ser resgatada, para além dos limites da interpretação. A transferência, por seu caráter regressivo, propicia o reviver dessas marcas inscritas corporalmente, e que aguardam uma simbolização. Pensar no redimensionamento do trabalho analítico implica, necessariamente, o caminho propiciado pela palavra vitalizada, que vai da sensação à idéia, do afeto à linguagem, da potência à criação.

 

 (1) O presente artigo é uma parte ligeiramente modificada da Dissertação de Mestrado – Do afeto à palavra: o vivido do corpo na clínica psicanalítica – apresentada ao Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ, sob orientação da Dra. Marta Rezende Cardoso.

 

(2) A tradução para o português é de minha autoria.

 

(3) Sobre este assunto, consultar o primeiro capítulo O corpo e suas memórias. In: TOSTES, V. M. C. S. Do afeto à palavra: o vivido do corpo na clínica psicanalítica. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica. Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2005.

 

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* Texto originalmente publicado em Cadernos de Psicanálise – SPCRJ, v. 21, n. 24, Rio de Janeiro, 2005.

 

Vera Maria da Costa Santos Tostes é psicanalista, mestre em Teoria Psicanalítica e psicóloga da Codepsi.

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