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Ensaio

A dor como um possível recurso da existência *

Vera Maria da Costa Santos Tostes
5/2006

 

do intérprete, cujo sentido só pode ser capturado a partir de um jogo de forças que entrarão em ação na transferência. Só assim acreditamos ser possível positivar a pulsão de morte que, em sua coexistência com a pulsão de vida, promoverá recortes necessários para permitir a produção de novos enunciados.

 

 A respeito do trabalho interpretativo com pacientes muito comprometidos, T. Ogden (1996) enfatiza que, geralmente, a idéia que se tem é de que a interpretação é disruptiva, devendo-se oferecer a tais pacientes apenas uma terapia “suportiva”. No entanto, esse tipo de conduta acaba propiciando uma relação terapêutica, na qual o paciente é tido como incapaz de compreender em palavras a natureza de suas angústias, que o incapacitam de ter uma vida mais plena. O autor acredita no poder subjetivante dos “símbolos verbais”, que têm a função de conter e organizar tudo aquilo que é da ordem do excesso de intensidades.

 

 É freqüente, por exemplo, pacientes com distúrbios somáticos apresentarem uma queixa atrelada ao referencial orgânico, esperando ver os seus sintomas inscritos em  um discurso que lhes seja inteligível. Entretanto, a clínica psicanalítica tem nos ensinado que apesar de o sintoma supostamente não remeter a uma significação oculta, ele ocupa um espaço na economia psíquica do sujeito. Diante dessa ausência de sentido, o trabalho da análise vai ser o de tentar ligar as palavras, criando uma cadeia associativa que visa um trabalho de construção dos sentidos como aquele sugerido por Freud (1937). Assim, a interpretação deve ser essa palavra que o paciente pode continuar a enunciar em busca de outras, criando uma diversidade de sentidos para sua dor que até então foi agida.

 

 Segundo Maia (2002), “agir a dor é bem diferente de expressar a dor, e o trabalho de análise com esses pacientes visa sobretudo a fazer com que a dor se torne expressão” (p. 92). A etiologia dos ditos “casos difíceis” não se encontra no campo da sexualidade, mas traz como referência a dor, associada à ameaça de aniquilamento do ego. Portanto, esses sujeitos “agem” a dor psíquica através da compulsão à repetição,

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