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Ensaio

A Expressão da Sexualidade na Contemporaneidade *

Patrícia Palombini de Alencar
1/2005

instalada pela falta de um objeto (mãe), sendo esta que permite acesso às representações possíveis e a possibilidade de produzirmos identificações sexuais. Melman coloca que no contemporâneo, os sujeitos são “liberados de qualquer gravitação” (Melman, 2003: 144), ou seja, aliviados do peso do próprio percurso de sua historia, sendo isto conseqüência da sociedade atual capitalista. Desta forma, sua relação com os objetos não é envolvida por este percurso, mas busca “ir ao objeto mesmo” (Melman, 2003: 20). O sujeito contemporâneo, para o autor, “gira em torno dos objetos sem nenhum estilo” (Melman, 2003: 144) e, ao fazer essa afirmativa, o autor parece se aproximar do que Baubrillard defende com seu conceito de transexual, também colocando os objetos desvinculados ao próprio sujeito e uniforme as outras instancias da vida. Melman diz que a satisfação oriunda do sexual é, hoje em dia, equivalente a qualquer outra forma de satisfação, já que, o sexual não se encontra mais vinculado a um aspecto transgressor. E, este fenômeno, para o autor, só é possível pela recusa à sexualidade que representa nossa verdade psíquica. O sexo, portanto, no contemporâneo, está envolvido por esta ausência de gravitação e conseqüentemente pelo afastamento à sexualidade.

A relação com o objeto sexual, para Freud, era sempre mediada pela sexualidade do próprio sujeito, como já foi mostrado, contudo, se chegarmos à conclusão de que a relação com os objetos mudou (parte-se da premissa de que a relação dos indivíduos com os objetos de consumo tornaram o protótipo de qualquer relação no contemporâneo, desta forma, o objeto de consumo simboliza qualquer objeto/ outro com quem se relacione, mesmo sexualmente), no sentido em que se encontram esvaziados de qualquer significação, podemos chegar próximo da conclusão de Melman, dizendo que a sexualidade, como concebeu Freud, não se encontra presente nesta relação com um objeto/outro sexual, já que esta não é resultado da história do próprio sujeito e da busca do primeiro objeto.

Gondar também salienta o fenômeno de uniformização das coisas no contemporâneo, dizendo ser este fenômeno uma forma dos mecanismos de poder continuarem presentes. A autora menciona as conseqüências subjetivas deste fato, mostrando a dificuldade de se afirmar subjetivamente a algo que se apresenta como

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