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Ensaio

A Expressão da Sexualidade na Contemporaneidade *

Patrícia Palombini de Alencar
1/2005

de liberdade sexual da modernidade. O autor nos mostra que o discurso acerca da liberdade sexual, que afirma que a sexualidade se encontra muda por causa de proibições hipócritas, e que diz que a solução está em ultrapassar essas proibições para ser feliz é na verdade um discurso de poder e de controle, que faz com que o próprio movimento seja depreciado. Para o autor, a repressão sexual e o movimento de liberação sexual têm enunciados comuns, mas apresentam estratégias opostas em seus discursos. Os movimentos de liberação sexual, segundo Foucault, são movimentos que se afirmam a partir da sexualidade, ou seja, eles partem da sexualidade, que um dia foi reprimida, a utilizam até seu limite máximo, livram - se dela até chegarem a ultrapassá-la. O autor, também se permite antecipar o que este fenômeno poderia causar como conseqüência em um futuro próximo. Ele coloca que estaria se dando um movimento que se daria em oposição ao tradicional movimento do “sempre mais sexo” (Foucault, 1979: 234), que proporia criar novas formas de prazer, de relações, de amores e que isto poderia talvez vir a ser um movimento anti–sexo, tirando o sexo do estatuto de segredo universal. Da mesma forma o transexual de Baudrillard.

Ao se dizer que os signos e objetos na sociedade de consumo não mantêm vínculos e que são uniformes, sendo eles “transexuais” (quando ligados ao que seria sexual), na medida em que vão para além do próprio sexual, nas palavras de Foucault e que essa relação não só é característica do lidar com objetos ao consumi-los como de todas as relações do contemporâneo, vide o turista de Bauman, estamos nos afastando da idéia de objeto concebida por Freud, na medida que não mais se trata da busca por um objeto perdido que está fortemente vinculado a representações que tiveram inicio na infância. Garcia-Roza, como vimos, coloca que para Freud, o objeto deve estar relacionado ao inconsciente e não ser algo que emerge na consciência, como aparenta ser os objetos descartáveis no contemporâneo.

Melman (2003) aponta o fato de que antes vivíamos em uma cultura baseada na representação, necessária na organização do ato sexual como na aproximação de um objeto. Para o autor, o sexo no discurso de Freud encarna e representa nossa verdade subjetiva que se suporta pela castração e a relação do sujeito com o mundo é

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