Introdução
Este trabalho (1) é fruto de uma reflexão sobre os impasses e desafios que vêm se impondo à clínica psicanalítica contemporânea, e cuja demanda tem levado o psicanalista a defrontar-se com uma diversidade de queixas que envolvem diretamente o corpo. Atualmente fala-se muito de “novos sintomas” ou de um “novo lugar” para a transferência, o que bastaria para justificar a pertinência de um trabalho que se interessa em estudar a especificidade da abordagem psicanalítica do corpo. Se o sujeito não é um ser exclusivamente “psíquico”, com que ouvido o psicanalista ouve o corpo de seus pacientes? Será que a escuta implica apenas o que pode ser ouvido?
A pós-modernidade imprime marcas em nossa subjetividade, muitas delas manifestando-se no campo das psicopatologias, lançando-nos em outros territórios que não mais os da neurose clássica, como é o caso dos quadros clínicos que nos colocam nos limites da analisabilidade. Nesse sentido, pode-se dizer que o sujeito contemporâneo encontra-se pautado pela exacerbação do narcisismo, pela escassez de recalque e pela falta de desejos, oscilando permanentemente entre prazeres imediatos e apatia total.
O processo de constituição da subjetividade acaba sofrendo interferências do presente contexto sociocultural, uma vez que tempo e espaço se comprimem, não mais respeitando os momentos de transição, de gestação, de análise. A aceleração desenfreada do tempo trouxe conseqüências imediatas, à medida que veio dificultar os contatos, a passagem da apresentação à representação, e a construção de cadeias de linguagem que permitam absorver, através do simbólico, a dinâmica das intensidades.
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