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Resenha

Sarabanda

Carmen Teresinha Frota B. Bastos
8/2006

 

Que ousadia a minha tentar falar de Sarabanda, o último filme de Bergman, e capturar em poucas palavras o que esse gênio do cinema tão bem revelou nas cenas marcantes dessa obra prima. Bergman, vocês sabem, usa pinceladas fortes em suas telas, brotando de dentro delas a dor do desencontro, da aridez de palavras, da solidão, e do estrangeiro que muitas vezes nos tornamos hóspedes cativos.

Na primeira cena, Liv Ulmman, no papel de Marianne, está diante de uma grande mesa repleta de retratos. A história de sua vida está na sua frente, em suas mãos, porém de forma embaralhada e desencontrada. Ela mostra às câmeras a foto do seu ex.marido, Johan (Erland Josephson) e conversa com o telespectador numa intimidade crescente.

Ela nos faz de ouvintes de sua história. Depois de 30 anos de ausência resolve visitá-lo. Não sabe o porquê de sua atitude, mas algo a leva a percorrer 320 quilômetros à busca desse momento. Teve duas filhas com ele: a pobre Martha, que se encontra internada num sanatório, trancafiada em sua própria doença mental. O isolamento a mantém presa num universo mudo e cego. E Sara, que é casada com um advogado bem sucedido e mora na Austrália, bem longe das águas profundas da Suécia. Ambas as filhas se distanciaram. Uma delas, porém, foi capaz de construir um mundo de relações e, a outra, tornou-se refém de seu interior caótico.

Marianne, apesar de ter sido casada pela segunda vez com um piloto que se perdeu definitivamente em uma de suas trajetórias, não sentiu a sua ausência. Parece que ambos já estavam há muito tempo separados.

 

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