CODEPSI

BUSCA AVANÇADA
< voltar

Ensaio

Para não dizer que não falei de flores: Considerações acerca da AIDS e do universo religioso

José Henrique Lobato Viana
6/2001

A aids (Síndrome da imuno-deficiência adquirida) tem no ano de 1981 o seu marco. A partir dessa data, ela começa a despontar como uma das doenças que mais deixou vítimas de morte em todos os tempos. Instala-se tomando espaços ao nível das subjetividades, criando considerações acerca de si mesma, ora alarmantes, ora esclarecedoras.

 

A primeira associação criada é de que a aids era uma doença de homossexuais ricos, uma espécie de “câncer gay”, visto que o primeiro  portador, notificado e diagnosticado como soropositivo era homossexual e apresentava certos sintomas, que se assemelhavam aos do câncer. O significado desse aparecimento, num país como os EUA, de uma economia vultosa, faz de tal doença, uma grande propulsora de pesquisas na área de epidemiologia. Por esse possível referencial a aids mexe com espaços de grande peso: o campo científico e o setor farmacêutico,pois há uma necessidade premente de controlar o avanço da doença e trazer, aos já contaminados, possibilidades de vida com mais longevidade. A expectativa de vida nos primeiros anos da doença era de 18 meses se revertendo com o passar do tempo.

 

No Brasil, em 1982, se constata o primeiro caso. Em São Paulo, uma pessoa falece com sintomas próprios da aids, mas “só em junho de 1983,com a morte de um grande estilista, é que a aids começou a atrair a atenção dos meios de comunicação brasileiros.”(Parker,1994). A aids também, nesse momento, é associada à doença de homossexuais ricos,com maiores recursos para viagens ao exterior, tendo assim mais probabilidades de contágio. A aids,como aponta Susan Sontag, seria uma doença que vem do estrangeiro, que vem de fora. Essa é uma característica, para a autora, da visão metafórica dada às doenças, como por exemplo: a peste. Sontag, em seu estudo, diz que os nomes dados à sífilis, na última década do século XV, designavam doenças advindas do estrangeiro, “para os ingleses, era o `mal francês’ : para os parisienses, o ‘morbus germanicus’:para os florentinos, o ‘mal-de-nápoles: para os japoneses, a doença ’chinesa’.”(1989:57)

Página        
Página        
< voltar
Os textos podem ser divulgados ou reproduzidos, integralmente, desde que mantenham as informações sobre o autor e sobre a CODEPSI.

Telefone: (21) 4141-9087
© 2018 CODEPSI. Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Créditos: D| Design Estratégico e Interage Solutions