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Artigo

Adolescência e a Contemporaneidade: algumas reflexões

Rosângela Grilo
5/2009

Na história da adolescência percebemos algo em comum. A despedida de um corpo infantil para um corpo adulto. A sexualidade se apresenta para a sociedade. Como a cultura vai conduzir essa passagem varia de momento a momento, dependendo do que a sociedade deseja com esse sujeito que se tornará brevemente adulto. Entendemos que para compreender o que vem a ser adolescência hoje teríamos que nos inteirar sobre a história da adolescência. Assim é que Phillipe Ariès em sua contribuição "História da Criança e da Família"(1960) nos fez ver que tanto a infância como a adolescência é uma construção social, e mesmo que a questão cronológica esteja referendada, o conjunto de significações, símbolos e valores são diferentes nos diversos momentos históricos como entre diferentes sociedades. O conceito de adolescência, surgiu recentemente no Ocidente, mas a passagem da infância para o mundo adulto é trabalhado de diversas maneiras desde a Grécia antiga. O que se verifica em comum nesses períodos é como o surgimento da sexualidade é tratada, quais os ritos que vão demarcar este surgimento, qual o poder disciplinar em questão, e principalmente como se dará o processo de socialização do indivíduo. A adolescência, como entendemos hoje, é um período de maturação no qual cada indivíduo tem de lidar com as dificuldades das experiências relacionadas à totalidade de sua vida para chegar a uma estabilidade de si mesmo. Na contemporaneidade os rituais iniciáticos foram praticamente abolidos, sendo necessário, para o indivíduo, nessa fase da vida, um trabalho psíquico singular que articule todas as questões próprias dessa fase. Segundo Baudrillard (1974, 1995), esta cultura é posta no consumo: no seu caráter mutante, efêmero dos bens a serem consumidos, e na necessidade de massificação, para que o maior número de pessoas se tornem consumidores em potencial. Não só consumidores de bens, de produtos, mas também consumidores de atitudes, de comportamento. As relações entre os indivíduos parecem que também foram capturadas por essa nova forma de ser. Assistimos então a superficialidade das relações, a vida como um show, um espetáculo a ser consumido a cada momento, o prazer a qualquer preço, onde nada pode ser negado, sob pena de grande infelicidade. O sujeito debruça-se sobre si mesmo, narcisista, não se espanta mais com a proliferação da miséria e suas relações. O que nos chama atenção é que essas novas formas são vazias de conteúdos e os jovens se voltam de novo para a família na tentativa de ampará-los nesse vazio. Bibliografia: Ariès, P. História Social da criança e da família. São Paulo. Ed. Schwars.1900 Baudrillard,J.A sociedade de consumo. Rio de janeiro. Ed. Elfos.1995 < voltar
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